Seguro de vida no banco: o que é legal e o que pode ser abusivo

Seguro de vida no banco: o que é legal e o que pode ser abusivo

O seguro de vida no banco continua a criar dúvidas no crédito habitação. Em Portugal, o banco pode exigir um seguro de vida ligado ao empréstimo, mas não pode impor que o contrato seja feito na seguradora do grupo se existir uma alternativa com garantia equivalente.

🟢 Seguro de vida no banco: onde está o limite

Convém separar duas realidades que muitas vezes aparecem misturadas. Uma coisa é o banco exigir proteção para o capital em dívida, outra é usar essa exigência para limitar, na prática, a sua liberdade de escolha.

O regime jurídico do crédito à habitação, assente no Decreto-Lei n.º 74-A/2017 e alterado, entre outros diplomas, pela Lei n.º 24/2023, proíbe as vendas associadas obrigatórias. Ainda assim, admite exceções, incluindo seguros adequados relacionados com o contrato de crédito.

É aqui que surge a nuance mais importante. O banco pode exigir um seguro adequado, mas tem de aceitar um contrato de qualquer prestador quando esse seguro assegure um nível de garantia equivalente ao que foi proposto pela própria instituição.

🟢 O que a lei proíbe e o que admite

Dizer que “é ilegal exigir seguro de vida” não está totalmente correto. O que a lei proíbe, em regra, é que a concessão ou renegociação do crédito dependa da compra obrigatória de produtos extra sem enquadramento legal, e o seguro adequado ao crédito é uma das exceções admitidas.

Também importa não confundir imposição com recomendação. A ASF refere que a instituição pode propor um determinado seguro, mas não o pode obrigar a aceitar essa recomendação, podendo escolher outra seguradora da sua preferência.

🟢 Quando a pressão comercial passa a problema

Na prática, a pressão raramente aparece de forma totalmente explícita. O mais comum é surgirem condições mais favoráveis quando aceita o seguro sugerido pelo banco, como uma bonificação do spread, e isso pode acontecer dentro das chamadas vendas associadas facultativas.

Isso não é automaticamente ilegal. O que a lei e o Banco de Portugal exigem é que essa adesão seja realmente facultativa e que a FINE identifique os produtos associados, explique os efeitos financeiros no empréstimo e descreva o impacto no spread e na prestação.

O problema começa quando a faculdade deixa de ser real. Se a instituição recusa analisar uma apólice externa equivalente, se não explica com clareza a diferença de custos, ou se empurra uma decisão sem informação comparável, convém tratar isso como um sinal de alerta.

🟢 O que convém confirmar antes de decidir

Antes de aceitar o seguro indicado pelo banco, importa confirmar o capital seguro, as coberturas de morte e invalidez, as exclusões, a idade limite e a forma como o capital acompanha a dívida. A ASF recorda, aliás, que o capital seguro deve acompanhar o montante em dívida à instituição de crédito.

Também convém olhar para o custo total ao longo do prazo e não apenas para a prestação inicial. A FINE deve refletir seguros exigidos e outros custos relevantes, para que consiga comparar propostas com base em informação pré-contratual normalizada.

Se sentir que houve condicionamento abusivo na comercialização do crédito, pode usar o Livro de Reclamações e reclamar junto do Banco de Portugal. Se o conflito estiver na seguradora, a reclamação deve começar no gestor de reclamações da empresa e pode seguir para a ASF ou para o provedor, quando aplicável.

A conclusão essencial é simples. O banco pode exigir cobertura, mas não pode esvaziar a sua liberdade de escolha através de uma imposição disfarçada, porque a fronteira entre o que é legítimo e o que é abusivo está na forma como condiciona a sua decisão.

📝Em 30 segundos

Regra geral: o banco pode exigir um seguro de vida ligado ao crédito, mas não pode impor a seguradora.
Exceção legal: o seguro adequado ao empréstimo é uma das exceções à proibição de vendas associadas obrigatórias.
Escolha: pode apresentar uma apólice externa, desde que ofereça garantia equivalente.
Spread: o banco pode bonificar condições com produtos facultativos, mas tem de explicar o impacto na FINE.
Reclamação: Banco de Portugal para a comercialização do crédito; seguradora, ASF e provedor para conflitos do seguro.

💬Perguntas frequentes

O banco pode obrigá-lo a fazer o seguro de vida na sua seguradora?
Não. Tem de aceitar uma apólice de outro prestador se o nível de garantia for equivalente.

O seguro de vida é sempre obrigatório no crédito habitação?
Não por imposição legal geral. Ainda assim, muitas instituições exigem-no como condição contratual do empréstimo.

Pode haver diferença no spread se contratar fora do banco?
Pode. Isso pode resultar de uma venda associada facultativa, desde que o impacto esteja explicado na FINE.

Que documento deve mostrar o efeito do seguro no custo do crédito?
A FINE. É aí que devem constar os produtos associados e o respetivo impacto financeiro.

Onde deve reclamar se se sentir pressionado?
Se a questão estiver na concessão do crédito, deve reclamar junto do banco e do Banco de Portugal. Se estiver na seguradora, deve usar o gestor de reclamações da empresa e, se necessário, recorrer à ASF ou ao provedor.

Na DS Loures estão disponíveis e habilitados para ajudar a fazer a melhor escolha

Preencha o formulário que nós procuramos a melhor solução para o seu Seguro de Vida