
Taxa mista no crédito habitação: como comparar propostas
A taxa mista no crédito habitação oferece previsibilidade e tranquilidade nos primeiros anos, mas exige atenção ao que acontece quando termina o período fixo e a taxa passa a variável.
⏱️Em 30 segundos…
A taxa mista tem duas fases: primeiro uma taxa fixa por um período definido; depois uma taxa variável (normalmente Euribor + spread). Para comparar propostas, se contratar seguros no banco, importa olhar para TAEG e MTIC, confirmar sempre comissões e outros produtos que o banco exija para baixar a taxa.
Ler a FINE e avaliar o orçamento familiar face à prestação após o fim do período fixo.
🧩 O que é a taxa mista e como funciona
Na prática, a taxa mista combina:
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uma fase inicial com taxa fixa (a taxa não muda durante X anos);
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uma fase seguinte com taxa variável (a taxa passa a depender de um indexante, como Euribor a 3, 6 ou 12 meses, e do spread contratado).
O ponto mais sensível é a transição para a fase variável: a prestação pode alterar-se de forma relevante. Por isso, além de perceber “quanto se paga hoje”, importa antecipar “quanto se poderá pagar depois”.
🔍 Taxa mista: como comparar propostas de forma justa
Para comparar propostas, é recomendável garantir que os elementos de base são equivalentes (montante, prazo, regime de taxa e custos dos produtos que tem que contratar para baixar taxas). Depois, convém analisar:
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TAEG: ajuda a perceber o custo total anual do crédito, incluindo encargos associados.
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MTIC: mostra o montante total imputado ao consumidor ao longo do contrato (capital, juros e custos).
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Condições da fase variável: qual a Euribor usada, periodicidade de revisão e se o spread é fixo ou condicionado.
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Custos e condições de cross-selling: produtos e serviços associados que podem afetar o custo total (por exemplo, seguros, contas, cartões etc.).
Atenção: Por norma em muitos casos, fazer os seguros fora do banco, torna o credito mais barato, se assim for, pode não ser correto comparar a TAEG e o MTIC.
Boa prática: comparar propostas com base em documentos e números, evitando decisões apenas pela prestação inicial.
📄 A FINE e o que convém confirmar antes de avançar
A FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia) foi criada para apresentar informação padronizada e facilitar comparações entre propostas. Ao ler a FINE, é recomendável confirmar:
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duração exata do período fixo e taxa aplicável nessa fase;
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regra de passagem para a taxa variável (indexante, prazo de revisão e spread);
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TAEG e MTIC;
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comissões e despesas (iniciais e periódicas);
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seguros associados: se são exigidos, em que condições, e o impacto no custo total.
Guardar a FINE recebida e comparar versões é uma forma simples de reduzir mal-entendidos.
⚠️ Riscos e erros comuns na taxa mista
Alguns erros são frequentes e podem ser evitados:
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assumir que previsibilidade inicial elimina risco: o risco pode estar concentrado na fase variável;
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não simular o pós-fixo: convém testar a prestação com Euribor acima e abaixo do nível atual e verificar se o orçamento suporta o cenário menos favorável;
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desvalorizar custos associados: seguros, comissões e produtos adicionais podem alterar o custo total;
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avançar com pressa: em contratos de longa duração, é recomendável reservar tempo para leitura e comparação.
🧭 O papel do intermediário de crédito e deveres de transparência
Um intermediário de crédito pode apoiar na recolha e organização de propostas e na explicação de documentação, ajudando a comparar alternativas.
Importa confirmar sempre se está registado e autorizado junto do Banco de Portugal e perceber, de forma transparente:
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que serviço está a ser prestado (intermediação e/ou consultoria, quando aplicável);
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se existe remuneração e qual a sua natureza (quando aplicável);
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quais as condições que realmente diferenciam as propostas (taxas, custos, seguros e impactos no longo prazo).
A informação deve ser clara e suficiente para que a decisão seja informada, sem pressão e com registo do que ficou acordado.
✅ Pontos a considerar antes de decidir
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Confirmar o período fixo e o que acontece no fim desse período.
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Comparar TAEG e MTIC em propostas equivalentes.
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Verificar Euribor usada, periodicidade de revisão e spread na fase variável.
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Identificar comissões, despesas e seguros, e o impacto no custo total.
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Simular cenários para a fase variável e validar a prestação no orçamento familiar.
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Confirmar o registo do intermediário de crédito no Banco de Portugal (se recorrer a um).


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